segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Irene Almeida/ Divulgação
Na manhã de domingo, 27 de fevereiro, o estado do Pará lamentou a perda de um dos seus maiores pensadores com o falecimento do filósofo Benedito Nunes. O corpo está sendo velado na Igreja de Santo Alexandre, que faz parte do complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha. Nesta segunda, 28, será realizada uma missa de corpo presente, ainda na  igreja, com participação de familiares, amigos e a execução de "Sonata ao Luar", de Beethoven. Após a missa, será feita a cerimônia do adeus, reservada aos familiares, seguindo para o processo de cremação do corpo (respeitando o desejo do escritor), em um cemitério particular no distrito de Marituba.

Aos 81 anos, Benedito Nunes se preparou, nos últimos meses, para uma batalha entre o corpo e uma sequência de problemas físicos. Desde o dia 15 de fevereiro internado no Hospital Beneficente Portuguesa, o quadro avançava para as consequências de uma deficiência renal (já em estado prolongado), com uma parte dos rins paralisada e a outra parte funcionado com a capacidade de apenas 30%; além de complicações pulmonares e coronárias. Neste domingo, pela manhã, o escritor sofreu uma parada cardíaca, decorrente das complicações e do sangramento de uma úlcera, que os médicos não conseguiram estancar.

Assim que soube da notícia, o governador Simão Jatene se manifestou sobre a morte de Benedito Nunes.  "Em nome de todos os paraenses, agradeço a inestimável contribuição do mestre Benedito José Nunes à cultura do país. A sua dedicação como escritor, crítico de arte, filósofo e professor é irretocável. Mais ainda, sua grandeza como paraense se revelou quando recebeu convites irrecusáveis para trabalhar em outros centros, no Brasil e no exterior, mas escolheu o Pará como destino e lugar para viver e construir a sua vasta e admirável trajetória intelectual. O Pará, reconhecido, saberá honrar a sua memória".

Segundo o Secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, o Pará perde um sábio, um exponencial de nossa cultura. Ensaísta, crítico de arte e professor de filosofia, Benedito Nunes fazia questão de permanecer fiel às suas origens, e na sua terra, mesmo depois de tantos convites para lecionar em outras universidades no Brasil e no mundo, onde ministrava cursos, palestras e conferências. Incansável, nos últimos anos ministrava seminários no Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, em Ananindeua.

“Uma perda considerável. Estamos tristes, órfãos da luminosidade que ele irradiava, mas que vai continuar por meio de sua extensa obra, que irá servir como exemplo, como modelo, não só na área específica da cultura, como em outras áreas do pensamento”, explica Paulo Chaves.

De perfil enciclopedista, porém, muito simples, Benedito Nunes era também conhecido pela sua generosidade e capacidade de ser um bom ouvinte, pois gostava de ouvir os outros, suas opiniões, os pontos de vista defendidos pelos seus alunos. “O legado de sua obra é inestimável; um lugar que irá permanecer vazio, já que hoje, nas universidades, estamos cada vez mais especialistas. Era o professor que estimulava seus discípulos na construção de seus próprios caminhos e não como discípulos cães de guarda que seguem os ritos da sociedade de consumo”, assinala o professor de Filosofia Ernani Chaves.

Legado

Benedito José Viana da Costa Nunes nasceu em 21 de novembro de 1929, sendo um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará. Com a vida voltada para o estudo a Filosofia e Literatura, o professor e ensaísta Benedito Nunes é, reconhecidamente pelas instâncias de legitimidade acadêmica, um dos maiores especialistas na obra de pensadores como Nietzsche, Kant e Heidegger, num entrelaçamento de idéias em que a poesia e a filosofia podem se complementar sem a perda de suas especificidades, na busca de novas dimensões para a obra de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros.

Casado com a professora de Teatro Maria Sylvia Nunes, de quem era inseparável, Benedito Nunes recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 1987 e no ano passado e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, também em 2010, entre muitos outros de importância no cenário nacional e internacional.

Obras



Passagem para o poético - Filosofia e Poesia em Heidegger, 1968

O Dorso do Tigre (Coleção Debates - ensaios literários e filosóficos), 1969

João Cabral de Melo Neto (Coleção Poetas Modernos do Brasil), 1974

Oswald Canibal (Coleção Elos), 1979

O tempo na narrativa, 1988

O drama da linguagem - Uma leitura de Clarice Lispector, 1989

Introdução à Filosofia da Arte, 1989

A Filosofia Contemporânea, 1991

No tempo do niilismo e outros ensaios, 1993

Crivo de papel (ensaios literários e filosóficos), 1998

Hermenêutica e poesia - O pensamento poético, 1999

Dois Ensaios e Duas Lembranças, 2000

O Nietzsche de Heidegger, 2000

Heidegger e Ser e Tempo, 2002

Crônica de Duas Cidades - Belém e Manaus, 2006 - em co-autoria com Milton Hatoum.


Fonte: Augusto Pacheco - Ascom/Secult

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